Anthony Russo está tão acostumado a trabalhar e a dar entrevistas com o irmão Joe que confessou ao repórter estar-se sentindo incompleto. "É que, em geral, quando um começa a falar, o outro completa o pensamento." Anthony participou no sábado à tarde, 5, de um dos painéis mais aguardados da Comic Con Experience. Veio falar de Capitão América - Guerra Civil, terceiro filme da série com o personagem da Marvel, após O Primeiro Vingador e Soldado Invernal. Joe deveria ter vindo com ele, mas, no último momento, teve uma infecção intestinal e o médico recomendou-lhe repouso.

O repórter brinca - "Ia recomendar que vocês cuidem da saúde, porque, na pesquisa que fiz no IMDb, aparece que vocês tem três blockbusters para estrear - Guerra Civil, no ano que vem, e Avengers - Infinity War, Partes 1 e 2, em 2018 e 19, mais Untitled Male Ghosbusters Film, sem data de estreia." Anthony entra no clima - "Você está absolutamente certo. Joe e eu temos consciência de estarmos engajados em projetos muito grandes e que exigem bastante. Você pode relaxar - estamos nos cuidando." Ele conta que Guerra Civil ainda não está pronto, e há uma longa pós-produção em processo, mas vê o filme bem encaminhado para estreia no primeiro semestre de 2016.

Não é só Batman que enfrenta Superman. No próximo Capitão América, o herói entra em guerra com o Homem de Ferro. Por que os super-heróis estão se destruindo entre eles? "É uma boa pergunta, mas não sei responder. O fato de esses filmes estarem estreando simultaneamente aponta para uma tendência que eu não consigo racionalizar. Talvez tenha a ver com estado do mundo." Em Guerra Civil, estarão de volta Natasha, a Viúva Negra, Bucky Barnes/Soldado Invernal, Tony Stark/Homem de Ferro, Sam Wilson/Falcon e, claro, Steve Rogers/Capitão América.

O que os fãs podem esperar? "Muita ação, efeitos e uma aventura eletrizante", ele garante. Anthony não tem medo de ser cobrado por eventuais deslizes? "Sabemos como os fãs de comics são exigentes, mas, na verdade, não nos preocupamos com as reações dos outros, porque ninguém é mais fã que nós mesmos. Joe e eu vivemos conversando sobre o assunto. Só nos satisfazendo conseguiremos satisfazer os outros." O repórter observa que Chris Evans, que faz o papel, é um dos mais perfeitos entre os super-heróis. Ele tem physique du rôle para não ser outra coisa senão a encarnação do herói. "Entendo o que você quer dizer e concordo. Chris brinca, dizendo que não precisa nem atuar. Na maior parte do tempo, basta olhar de maneira neutra para a câmera e os atores com quem está contracenando."

Russo, por outro lado, transfere a parte dramática da história para os demais personagens. Sebastian Stan, que faz O Soldado Invernal, é sempre devorado por um conflito interno. "E você vai ver que seu conflito está longe de ser resolvido. A relação com Steve/Capitão América continua turbulenta, mesmo que o choque seja agora com Jim/Iron Man." Natasha/Viúva Negra inunda a tela com sua sensualidade. "De acordo, e Scarlett (Johansson), que faz o papel, não é só uma das mulheres mais belas e sexy do mundo. É uma atriz muito focada, que leva extremamente a sério a atividade no set."

E Anthony revela - "Já havia uma tensão erótica muito forte entre Steve e o Soldado Invernal. Ela cresce em Guerra Civil.Não é um subtexto sexual sobre a questão de gênero dos super-heróis. Mas o embate físico de homens de virilidade muito acentuada pode produzir esse tipo de jogo." Alguma grande surpresa a caminho? " Acredito que Guerra Civil terá desdobramentos futuros em aventuras que ainda estão por vir. Dividir os super-heróis em dois blocos, a turma do Capitão América e a turma do Homem de Ferro, cria problemas porque os direitos de alguns deles, que deveriam estar aqui, pertencem a outros estúdios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por Luiz Carlos Merten - São Paulo