O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta quarta-feira, 18, que há um aproveitamento político por trás do movimento de "invasão" de escolas no Estado. Depois de o número de escolas ocupadas no Estado ter chegado a 34, o governador demonstrou irritação ao ser questionado sobre a reação policial.

Durante a crise do governo Alckmin com as escolas, houve confronto com a PM e até professor preso. A escola Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na capital paulista, chegou a ficar cercada por policiais. Alckmin negou que haja uso de força policial. "Não tem polícia", afirmou. "Já temos inclusive reintegração de posse e não estamos usando nenhuma ação policial. Eu mandei inclusive tirar toda polícia lá da frente da escola", disse em aparente referência à escola Fernão Dias Paes.

Apesar da argumentação, o governador afirmou que o governo continuará a pedir reintegração de posse das escolas ocupadas. "Claro que vamos pedir reintegração, mas vamos procurar, no diálogo, nos entender", afirmou. Alckmin citou uma escola em Diadema e outra em Osasco, na Grande São Paulo, onde, segundo ele, foi possível encerrar a ocupação através de diálogo mediado pela Justiça.

Aproveitamento político

"O que a gente observa é muito aproveitamento político. É MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), é universitário, movimento político, partido político", prosseguiu o governador, que não quis confirmar se o partido a que se referia é o PT. Ele, contudo, acusou a Apeoesp (Sindicato dos professores do Estado de São Paulo) de fazer uso político da crise. "Não vou citar um ou outro (partido), mas da Apeoesp não há a menor dúvida. Aliás, eles descumpriram uma decisão judicial que estabeleceu multa de R$ 100 mil por dia para cada escola invadida."

O governador reforçou que a reforma escolar promovida por seu governo visa apenas à melhoria do serviço de ensino, promovendo que as escolas trabalhem com ciclo único. "O objetivo é melhorar a escola pública, o ciclo único é melhor", disse. Ele defendeu ainda que a reforma foi profundamente estudada, ao contrário do que alegam os críticos da medida. "Foi muito estudado, foi um ano inteiro de estudo", disse, ao argumentar também que dirigentes regionais de ensino participaram da elaboração da reforma e que todas as regiões do Estado foram ouvidas.

Alckmin reclamou do corporativismo que, segundo ele, impera no País e impede reformas estruturantes. "No Brasil, é difícil fazer as reformas que precisam ser feitas porque você tem um corporativismo atrás disso procurando prejudicar."

Por Ana Fernandes - São Paulo