O estado norte-americano da Califórnia concentra grande parte da produção de filmes pornográficos de todo o mundo. Nos EUA, aliás, a produção desse tipo de material é legalizada apenas na Califórnia e em New Hampshire.

Como toda profissão que expõe o funcionário a determinados riscos, é preciso que os atores tenham acesso a medidas de proteção e façam exames periódicos que possam identificar doenças sexualmente transmissíveis, além da utilização da camisinha em alguns casos. Até aí, nada muito surpreendente. A novidade é que talvez esses atores precisem encarar óculos de proteção em breve, durante as filmagens.

A sugestão foi proposta pela Divisão do Estado de Segurança do Trabalho e Padrões de Saúde, e sugere que haja uma obrigatoriedade do uso desses acessórios em muitas cenas produzidas pelo cinema adulto.

Empresas que trabalham com a produção de filmes adultos e a maioria dos atores pornográficos acreditam que não há necessidade para a criação dessa nova regra, até mesmo pelo lado prático da coisa – de repente, aquele cenário de entregador de encomendas e dona de casa caliente teria que dar espaço a espalhafatosos óculos de proteção.

Diane Duke, CEO da Free Speech Coalition, que trabalha com filmes adultos, acredita que a implementação dessa nova regra seria capaz de “acabar com toda uma indústria”. Como comparação, vale lembrar que quando o Condado de Los Angeles passou a exigir o uso de camisinhas em produções pornográficas, a produção de filmes adultos teve uma queda de 90%.

Na Califórnia, onde a produção de pornografia é legalizada, o uso de camisinha é obrigatório, mas a regra raramente é cumprida. Um dos responsáveis pelas normas de segurança na produção de filmes adultos é Michael Weinstein, que preside a AIDS Healthcare Foundation.

Weinstein critica o risco ao qual atores e atrizes estão expostos quando fazem sexo sem proteção. Para ele, ainda que exames laboratoriais sejam realizados com frequência, a medida é insuficiente, principalmente para quem tem vários parceiros.

De acordo com a fundação na qual Weinstein trabalha, pelo menos quatro pessoas foram contaminadas com o vírus da AIDS enquanto faziam filmes adultos nos últimos anos. Sem falar, é claro, nas pessoas que acabaram contraindo outros tipos de DST.

Michael Stabile, da empresa pornográfica Kink, disse ser contra a nova proposta de regra porque ela tiraria dos artistas o poder de escolha sobre o próprio corpo. Stabile também diz ser contra a divulgação dos exames médicos dos atores.

A nova proposta também pode acabar impossibilitando algumas práticas, uma vez que pretende higienizar ao máximo os ambientes de gravações e considera todo e qualquer fluído corporal potencialmente infeccioso. Como disse Michael Miller no Washington Post, o entregador de pizza já não poderia mais derramar seu molho antes de ir embora.