Tente se colocar no lugar: você é professor de iniciação sexual e precisar explicar aos seus alunos todas as verdades não ditas sobre o sexo. O que você faz? Monta cartazes? Procura vídeos para exibir? Ou leva as crianças a um sex shop?

Pois foi a última opção a escolhida por Starri Hedges, na semana passada. Ela levou cerca de uma dúzia de alunos para a loja Smitten Kitten, em Minneapolis, Minnesota (EUA). Segundo o jornal Star Tribune, ela queria um ambiente seguro para as crianças aprenderem sobre o comportamento sexual humano.

Fachada do sex shop visitado pela escola

“Eu achei bom, porque as crianças puderam conversar com os educadores sexuais sem qualquer tipo de medo ou vergonha”, explicou Starri. O Smitten Kitten, além de sex shop tradicional, com todos os brinquedinhos eróticos possíveis, também tem workshops educacionais, preparados para receber crianças de diversas idades e educá-las sobre o sexo.

Os alunos escolhidos são da Gaia Democratic School, da qual Starri também é diretora. A escola tem como lemas a liberdade acadêmica, a capacitação dos jovens e a educação democrática. Ela ainda é pequena, com cerca de 25 alunos, e tem uma receita anual de US$ 100 mil – além de abrigar uma sede da igreja Unitarian.

Revolta dos pais

Lynn Floyd retirou as duas filhas, de 11 e 13 anos, da instituição, após elas serem levadas ao sex shop. Floyd acredita que houve abuso de confiança por parte da direção da escola, que sequer notificou a saída de campo aos pais. “Eu só tento acreditar que eu não estive envolvido nisso”, explicou o pai.

A diretora Starri Hedges admite que a comunicação sobre o passeio não foi feita de maneira eficiente, mas explica que itens mais pornográficos ficaram de fora do alcance e da visão das crianças. Entretanto, alguns tipos de brinquedos eram bem visíveis.

Jennifer Pritchett, proprietária do sex shop, ainda falou que o ambiente também serve para educação. “Nós deixamos a critério dos pais ou responsáveis o momento de explicar para as crianças as verdades sobre o sexo”, disse. Já para Josh Collins, porta-voz do departamento de educação do estado de Minnesota, o Estado não pode fazer nada por se tratar de uma instituição particular. Ainda assim, ele não achou correta a escolha da diretora.

Starri lamenta e disse que essa provavelmente foi a primeira e última visita de seus alunos ao sex shop. Uma investigação está em curso para saber se ela quebrou alguma lei, e o estabelecimento foi notificado para cobrir melhor os itens eróticos antes de receber alunos de educação sexual em seus workshops.